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 José Manoel da Silva - UM ASSAIENSE QUE DEDICA PARTE DE SUA VIDA EM PROL DA SOLIDARIEDADE HUMANA

O assaiense, José Manoel da Silva, 58 anos, popularmente conhecido como “Benício”, nascido na Secção Guarucaia, filho de Manoel Clarindo da Silva e Maria Cícera da Silva, trabalha como tapeceiro a quase 30 anos, e inclui em seu dia a dia atos de solidariedade, o projeto CLICK CULTURA foi conhecer um pouco mais sobre isso.

“ Quanta alegria receber vocês... estou muito emocionado e ao mesmo tempo agradecido em poder falar um pouco da minha vida.... Começei a trabalhar muito cedo, aos 12 anos minha mãe, pediu ao então tapeceiro Sr. “ José Nocko “ um emprego para mim, onde eu pudesse aprender uma profissão.... Então comecei minha luta.... trabalhei com o Sr. José por muito tempo, mas resolvi sair desse emprego e tentar outra atividade, e em 1980 è 1982, trabalhei nas Casas Pernambucanas, onde também fui muito feliz... mas o destino me levou novamente ao ramo de tapeceiro, e eu comecei a reformar os primeiros sofás debaixo de um pé de abacate que tinha na casa da minha mãe... deixei de ser empregado e passei a ser o patrão, e graças a Deus estou aqui até hoje, firme e forte, tiro meu sustento do suor do meu trabalho.... Com o passar do tempo eu percebi que poderia fazer algo ainda melhor, pois eu era procurado para concertar cadeiras de rodas.... mas meu coração não permitia cobrar por aquele serviço.... esse trabalho significativo me dá prazer, me sinto solidário e realizado por poder proporcionar uma qualidade de vida melhor aqueles que necessitam. Essa atitude de solidariedade intensificou em meu coração com meu próprio pai, que em 2001 teve um derrame e de lá pra cá usa cadeiras de rodas, e eu pude perceber ainda mais o quanto os cadeirantes sofrem.... Deus é muito generoso comigo, me deu esse “ dom” maravilhoso de ser tapeceiro... eu recebo as cadeiras destruídas e depois de restauradas faço doações às entidades, aos que precisam e também ao nosso Hospital Municipal... eu transformei meus dias aqui na minha oficina em dias de glória e alegrias, não tenho apego a nenhum bem material, eu tento viver na presença de Deus, fazendo o bem ao próximo diariamente... nós estamos nesse mundo para servir os nossos semelhantes, e eu adoto um sistema de vida, de me preocupar antes que o problema aconteça, pois o sofrimento depois é muito maior, não me apavoro diante das dificuldades e nem exagero em minhas alegrias... Sou muito feliz com a vida que levo, sou muito grato a Deus por tudo o Ele que concedeu...

“Em minha vida enfrentei muitas dificuldades, e nesses trinta anos de trabalho, aprendi que não adianta esperar que o mundo mude por si próprio, não podemos ficar esperando que os outros façam, é necessário que cada um de nós façamos a nossa parte, sendo um bom filho, bom pai e um bom cidadão... Que Deus toque também em outros corações, e que possamos ter cada vez mais pessoas que se preocupam com um mundo melhor”.

 

 

11/08/2015 - PAULO KONO UM PAULISTA QUE SE APAIXONOU POR ASSAÍ

Minha história assaiense se inicia em 02/08/1947, quando desci à cavalo na Avenida Rio de Janeiro e fui atrás de alguém, perto onde hoje é a escola Rotary para pedir um copo de água, e a resposta que tive: moço vai lá no córrego e tome seu gole d’agua, nunca esqueço do que era essa natureza que dava tudo para aqueles que aqui chegavam com um sonho de fazer fortuna, , este chão que eu adoro tinha todos os comércios e casas eram de madeira e a avenida Rio de Janeiro era toda de terra, pois estava sendo desbravada com a história do nosso povo.
Eu morava na fazenda Cristal – Quatá-SP, e fiquei muito admirado de ver este céu que cobria a tradição viva do povo japonês, que se adaptava a terra do sol nascente que era uma terra de muita fartura, que marcava esse chão de diferentes culturas valorizando a formação da nossa gente. 
Na avenida o espetáculo era, duas rodas de carroça, animal que andava no trilho da roda destas carroças com tijolos para construir a cidade que estava nascendo, recordo-me de pouco comércio, a cooperativa agrícola de Assaí já existia, tinha como médico o Dr. Domingos Julião, o prefeito era Sr. Frederico Prudêncio de Andrade. Fui morar um tempo depois no Sítio Agua do Tamanduazinho, e depois para onde moro ate hoje, no sitio Agua Bonita, na divisa com a secção Guarucaia. Nessa época tinha muitas charretes, bicicletas, e muita gente andava a pé e a cavalo, a plantação era de café, algodão, milho e arroz, e já começa o transporte de caminhão, de jardineira e muita gente que vinha para trabalhar e retirar o sustento dessa terra, quando chovia o caminhão era acorrentado no pneu traseiro, tivemos muitas dificuldades mas queríamos vencer.
Destaco a importância da minha vida, do meu amor pelas crianças do grupo escolar João Ribeiro Junior, em que 1969 Takao Aoki instituiu a Associação de Pais e Mestres, nossa vida foi sempre em favor de orientar a saúde, e a educação das crianças de nossa secção. Tenho com muito respeito lembranças dos grandes padres que tive a oportunidade de trabalhar na capela Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, como Pe. Marcos, Pe. Honorio e Pe. Pedro, onde fui coordenador por um período de 10 anos. Amo a minha gente pois essa terra dá tudo o que plantei, os peixes que trás o grande alimento para nossas vidas. 
Gosto de viver perto daqueles que são solidários aos sofrimentos das pessoas, e muito tenho que fazer ainda para ajudar. Adoro trabalhar em minhas terras e tirar o sustento para minha família e aqueles que precisam de mim. Deus é meu tudo, vivo na minha comunidade religiosa que represento juntamente com meu queridos padres, que Deus abençoe a todos, em viver e amar essa terra que dá fruto e prosperidade.

Mensagem: Tenho somente o 4º ano primário, mas sou um homem feliz, abençoado pela sabedoria e proclamei ao meu Deus a vitória de nossa gente, desejo a todos que confiem em seu mestre, pois ele tem a resposta para todos os problemas, como observamos as profecias do infinito e peço a todos que respeitem seus professores e confiem no ensino que eles tem em desenvolver suas vidas. Amo de paixão a minha terra.

 

10/07/2015 - Luiz Ribeiro - O mineiro de 100 anos, amado e respeitado por todos os assaienses!!

Luiz Ribeiro, nascido em São Gonçalo – MG no dia 20/06/1915, chegou em Assaí no ano de 1945, veio com a mulher, o sogro e duas filhas, e hoje tem 12 filhos, dos quais 11 estão vivos, com 36 netos, 49 bisnetos e 3 tataranetos.

... Há 70 anos moro aqui em Assaí, vivi a vida toda da agricultura, de onde tirei o sustento para os meu 12 filhos, hoje 11, porque 01 já morreu... em 1945 quando eu cheguei, aqui tinha muito mato, a plantação era de muito café e depois veio o algodão, onde todos trabalhavam, aumentando o crescimento. A maioria eram japoneses, e contavam que o caminho para Jataizinho era feito por “ picada” no meio do mato.... lembro do campo de futebol, onde hoje é o posto Matsubara, as casas eram de madeiras e cercadas com balaustras, tinha os “ secos e molhados” onde a gente comprava as mercadorias, tinha muita carroça... aos domingos eu costuma ir na igreja Congregação Cristã, que era de madeira, perto de onde hoje é o posto de saúde central, nuca fui num cinema, sempre tive muitos amigos em Assaí, como o Zico Candido, que também está  “beirando” os 100 anos. Quase não dei estudos para os meus filhos, e hoje estão todos esparramados pelo mundo... Naquela época tinha muita fartura, a terra era nova e produzia muito.... lembro do Banco do Estado do Paraná... Minha paixão sempre foi pescar, gostava de comer rapadura, carne de porco, farinha de mandioca e um “golinho” de cachaça para abrir o apetite.... Toquei café na propriedade do Sr. Tomotada Ikeda,também trabalhei muito tempo para o Chiquinho Akagui, morei na secção Figueira onde trabalhei até os 65 anos na roça, e vim para a cidade, onde trabalhei por mais 10 anos como zelador na Transparaná... Hoje sou aposentado e muito feliz, moro com minhas duas filhas, Vicentina e Lourdes Ribeiro, e é muito bom estar vivo para poder contar um pouco da minha história para vocês, queria lembrar mais coisas, mas as lembranças vêm e logo tudo se apaga, Ainda lembro que a 10 anos atrás eu ainda fazia caminha pela Av. Rio de Janeiro .... são muitos anos é muito difícil de recordar tudo... Logo quem perguntar do Luiz, ele estará no cemitério.....

Mensagem: Todos deveriam se conhecer e se amar, respeitando para termos uma vida feliz..

O GOVERNO MUNICIPAL, E A SECRETARIA DE CULTURA E TURISMO PARABENIZA O SR. LUIZ RIBEIRO PELOS 100 ANOS DE VIDA QUE IRÁ COMPLETAR NO PRÓXIMO DIA 20/06/2015. PARABENS E MUITAS FELICIDADES....

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27/05/2015 - A memória do casal solidariedade humana: Francisco e Ana Soares

O click cultura destaca o casal Francisco Soares Neto, nascido em Cornélio Procópio em 18/11/1940 e chegando em Assaí em 1943, e Ana Gonsales Soares, nascida em Assaí em 17/11/1943, onde se casaram em 19/10/1963 tendo cinco filhos de sangue e duas filhas adotivas. Em 19/10/2015 completarão 52 anos de casamento.

.... “ Com muito orgulho começo a contar um pouco da minha história falando do meu Avô, que era promotor na cidade de Ponta Grossa em 1912, e se destacou com a fundação das cidades de Nova Santa Bárbara, Santa Cecilia do Pavão... depois com o desempenho de meu pai Lupércio Amaral Soares que em 1948, que assumiu a prefeitura no lugar do então prefeito Dr. Domingos Julião, e muito fez pela minha querida Assaí... é quase impossível de acreditar, mas Assaí já teve 49.366 habitantes, no auge do “ouro branco (algodão) e ouro verde (café)”... recordo da movimentação da chamada Avenida Industrial, sem asfalto, só de terras, quando chovia era muito barro, onde era centralizado as indústrias; Tanita, que fabricava até peças agrícolas e de carros, como rolimã, o Posto Tanita, bebidas Kong, Maquinas de arroz, Ichikawa, algodoeira Esteves e irmãos, Fujiwara, Posto Mamãe.... Lembro-me de João Milanez em 1948, veio para fundar um jornal em Assaí, junto com meu tio Lício do Amaral Soares, porque Assaí tinha um grande desenvolvimento, mais do que Londrina.

A avenida Rio de Janeiro nessa época era um “formigueiro” de gente, com muitos caminhões, carroças, cavalos, no sábado ninguém conseguia andar, de tanta gente, em todas as secções existia um campo de futebol, o Empório Primavera era o maior da região, e tinha também as Lojas Pernambucanas, Buri, Riachuelo e muitas outras...

Com 13 anos fui trabalhar na gráfica do meu tio e já assumi a direção da gráfica e a edição do jornal quando ele se ausentava, fui para o exército e fui me especializando, até que entrei no Banco do Estado do Paraná, e em 1960 entrei no Banco do Brasil, em 1962 fiz o concurso de nível superior do banco, e lá fiquei ate me aposentar, onde destaco meu grande amigo Geraldo Nocko... Desde a idade de 16 anos que eu já me preparava para o concurso do banco. Em relação a economia, destaco o valor financeiro da época, com o Banco Curitiba (onde hoje é a Elegance), Banco Comercial do Paraná (onde hoje é a farmácia tupi), Banco Noroeste (onde hoje é o Moveis Martins), Comércio e Industria de São Paulo (onde hoje é o Kato), Banco America do Sul (onde hoje é o Centro de múltiplo Uso)...

Recordo-me que o transporte era muito difícil, mas ainda assim o diretor presidente da empresa Ouro Branco Vergilio Spuri, com mais dois sócios, Manoel Ribeiro e Airton Bastos, propiciava de hora em hora uma linha para Londrina, inclusive tinha uma linha de Assaí a Curitiba... 
Nas épocas de 1940 e 1950, aqui em Assaí existia aeroporto, que era localizado na secção Figueira, um terreno de 20 alqueires que foi doado pelo Sr. Seiji Nakayama para a prefeitura fazer o aeroporto internacional.... e todos os dias saía um avião para levar dinheiro para a matriz do Banco America do Sul... e nesse ano de 1950 o Banco América do Sul daqui de Assaí, salvou da falência a matriz, e como recompensa todos os funcionários do banco receberam uma casa gratuitamente para morar (onde hoje é a AABB e não pagavam aluguel)... Sempre fiz trabalhos sociais, mas em 1963 depois que casei, juntos, nós começamos a fazer muito mais pelos menos favorecidos... juntos construímos mais de 50 casas, destaco aqui a importante ajuda da Igreja Católica, com os padres Marco Ceroni e Jerônimo, que pagavam a metade do valor gasto na construção.... fizemos muito berçinhos completos, mesinhas e cadeirinhas, e tenho também em viveiro de mudas (arvores frutíferas, palmitos e outras), e já doei mais de 100.000 mudas, e nosso objetivo é cada vez mais atender aqueles que mais precisam.... Eu e Ana somos ministros da eucaristia, e também levamos a eucaristia e a palavra de Deus a nove acamados..... Quero lembrar também que fiz um trabalho social direcionado as pessoas interessadas em fazer cursinho para entrar no banco, mas com a condição de que aqueles que conseguissem êxito, doariam do primeiro pagamento um salário e meio a qualquer instituição filantrópica, religiosa, cultural ou esportiva... ajudamos muita gente e construímos muitas obras aqui em Assaí com esses doações.... destaco a construção de uma quadra de esportes da Igreja Matriz (onde hoje é o salão paroquial), quadra de esporte dos colégios Barão e Carrão.... Quero lembrar também da minha aluna e primeira mulher a passar num concurso do banco do Brasil em 1º lugar, Srª Maria Aparecida Bertolino, como também de Luiz Suzuki (dono da quitanda) em 1º lugar do Brasil, com uma media acima de 97, muito me orgulho disso.... Uma outra grande paixão era o esporte, o Juventus foi fundado em 1951/1952, um grande time, chamado de “ A turma do Chico”, fui também campeão paranaense de Shogi ( xadrez japonês) por várias vezes, e também campeão brasileiro de shogi por duas vezes, em 2008 e 2013.... A Ana minha fiel companheira, sempre presente, sempre do meu lado, minha eterna gratidão.... Ana , que desde 1962, era professora, foi diretora da escola na secção Bálsamo, e depois diretora do Colégio Barão, dedicou 25 anos de professora pelo Estado e se aposentou em 1988... Destaco as grandes amigas de Ana, Aparecida Lina, Leonor Leandro, Alice Massuda, Elza Wada e Helena Fujii.... Muitas coisas aconteceram durante todos esses anos, algumas tristes, outras desafiadoras, mas nunca desistimos..... Só temos que agradecer a Deus, pela nossa vida, nossos filhos e netos, por nos ter dado o privilégio de ajudar a tantas pessoas....

MENSAGEM: Quem não vive para servir, não serve para viver, nós não vivemos sozinhos e precisamos de nossos semelhantes – “ Francisco Soares “
“ Valorizem seus professores, eu Ana Gonsales me realizei como professora, se dediquem aos estudos, trabalhem com amor, para ter muitos amigos e procurar a felicidade que está ao seu lado... “

 

Nasceu em Avaré – SP, em 11/08/1918, Maria Benedito Felipe, conhecida como “ Dona Neguinha”, que muito representa para  a memória viva assaiense.

... Nas minhas contas tenho 105 anos, apesar do meu registro ter sido feito depois de muitos anos de nascida, lembro que aqui em Assaí era só mato, meu marido se chamava Emiliano Felipe, até onça tinha por aqui, eu me lembro que pegou duas meninas. Minha vida era só na roça, trabalhava muito, na secção Figueira trabalhei suado nos doze mil pés de café que tinha lá, eu morava no sitio e o patrão era muito bom e trabalhava também na colheita de feijão e algodão. Tive dez filhos e a maioria já morreu.

Nessa querida cidade desde 1.955, fui lavadeira de roupa, e lembro que foi por mais de 40 anos na casa do Sr. Antenor Monteiro e Eliege. Trabalhei em outras casas também, e trabalhei no Hotel Paraná de cozinheira e lavando louça, para sustentar meus filhos. Sempre tive meu altar com a Nossa Senhora Aparecida que me ajuda a fazer oração para as crianças e adultos, que me procuram até hoje... “ Não posso largar de fazer benzimentos, senão fico doente” , é minha vida fazer isso. O transporte antigamente era bem difícil, gostava de ir na igreja dar a oferta, meu divertimento era que gostava muito de dançar.... minha maior tristeza é ter trabalhado tanto e não conseguir receber minha aposentadoria, e hoje só tenho a pensão do meu marido que me ajuda, pois não posso mais andar. Depois que vim para a cidade sempre morei nessa casa, onde estou até hoje e bastante doente, só fico deitada, quase não tenho forças nas mãos.

Mensagem: Agradeço a todos, gosto muito do povo de Assaí e peço para vocês fazer o bem para todas as pessoas, porque só assim todos vamos ser felizes.

DEPOIMENTO: A Secretaria de Cultura e Turismo analisou todos os documentos pessoais, e depoimentos registrados em cartório de depoimentos de várias famílias assaienses sobre o que foi a vida de Maria Benedito, nesses longos anos de existência. Ela afirma que completará 105 anos no próximo dia 11/08, porém os documentos registram a data de nascimento em 11/08/1918. 

 

 

12/05/2015 - “ O olhar da memória do casal Katsumi e Elenice Imano ”
 
Minha terra... onde desde 1951 eu, Elenice Yoshiko Ikeda Imano vim de Lins – SP para vivenciar toda a alegria dessa terra. Me casei com Dr. Katsumi Adherbal Imano, que está em Assaí há 65 anos e juntos acreditamos na terra do Sol Nascente. 
 
... meus pais Massami Ikeda e Umeko Ikeda na década de 1950, instalaram a farmácia São Bento, (que existe ate hoje), abrindo as portas para Assai e região e construindo uma identidade que é uma marca que ninguém esquece. Viemos de Sumatra – SP, uma espécie de distrito, que depois se chamou Pacaembu, logo fomos para Lins e depois para Assaí, onde estamos até os dias de hoje. 
 
Recordamos  que nesse período Assaí, as ruas eram de chão, muito pó, muito barro quando chovia, a energia elétrica era das 18:00 horas às 23:00 horas, o transporte usado era a charrete, poucos carros de aluguel, muita gente que vinha de vários lugares, principalmente do nordeste, para trabalhar no café, e acabavam ficando, porque o algodão estava despontando como o “ Ouro Branco”, onde muita gente ganhavam o sustento para suas famílias. 
 
O bar mais movimentado era a Cinelândia, onde hoje é a Pousada Para Todos , o Cine Assai um local muito disputado, onde hoje é a Caixa Econômica, e um grande comercio com as Casa Pernambucana e Lojas Kakubo.
 
Minha vida foi para o olhar do Colégio Estadual Conselheiro Carrão, onde trabalhei por 25 anos, dando aulas da língua portuguesa, sempre fui muito respeitada como professora, e hoje sinto-me feliz e emocionada de ver meus ex alunos se destacando na vida profissional, destaco Dr. Mario Sato, Dirce Fussuma, Cida Maria, Cleusa Maria, Leia Gonçalves, Isabel Shimada, Teresa Fujimoto, Rubens Yamaoka, Cesar Yamaoka, Cereja Matsubara, Amélia, Jorge Hiraiwa, Sueli Fukunaga, Luiz Kamizake, Suzuki, Helia, Sueli, Dr. Olavo, Luci Horiuchi e Marcos Vieira;
 
... já eu, Katsumi , sempre palmeirense, fui diretor por mais de 15 anos do Colégio Comercial do Estado Massayuki Matsumoto (Carrão- Barão), sou advogado desde 1961 na área civil, preservo minhas raízes pois, meu pai Rinzabro Imano, foi fundador da SAMA, do Banco do Brasil e também da Companhia Telefonica, como também era proprietário do barracão (onde hoje e a feira), que era uma grande maquina de beneficiamento de café e algodão e da serraria do Tanita na vila São Pedro. Assaí foi crescendo e se tornou essa grande cidade de se viver com nossas famílias.
 

 

Mensagem: “ Desejamos muita paz, prosperidade a todos os cidadãos assaienses, que escolheram Assaí para promover a sua cidadania. A Terra do Sol Nascente merece o nosso respeito, amor, dedicação, construção de conhecimentos para contribuirmos com o desenvolvimento cultural, educacional, social e econômico neste cenário do século XXI, onde os valores precisam ser resgatados para reinterpretar a nossa cultura democrática.

25/03/2015 - Um Legado de uma professora no espaço rural.

Maria Fukiko Kanno, é a história viva de uma professora que vive para servir aqueles que estão do seu lado.

...” Nasci na secção central em Assaí, em 1943 e lá permaneci até quando minha família decidiu vir para Secção Roseira, divisa com Assaí e Jataizinho, onde estou até hoje. Fui professora da Escola Casa Escolar, desta secção, naquele tempo fui nomeada pelo Estado, pelo município de Rancho Alegre, e pedi a transferência para Assaí, onde dei aulas para ensino primário, até 4ª série. Tinha alunos de manhã e a tarde, e cada sala com mais de 30 alunos, e assim fiquei desde 1966 até 1980. Nesse período ajudava meu marido Toshio Kanno, na colheita e produção de uva, onde eu assumia o volante do trator enquanto o marido passava o veneno nas plantações. Recordo-me que muitas famílias viviam aqui perto de nós, e nessa época era em torno de 37 famílias, chegando a ter no período de maior produção, 71 famílias, muitos ajudantes na colônia. Lembro-me que o transporte para Assaí, era de carroça... e quando criança, muitas vezes eu ia de bicicleta até o Barão para estudar. Nos dias de chuvas as baixadas ali perto onde é hoje a Farmácia Tupi era muito barro, depois com o tempo chegaram as calçadas, o paralelepípedo. Recordo-me e gostava de ir nas lojas como: a bicicletaria, Casa de Tecido Aba, Casa Sato, Casa Buri, Casas Pernambucanas, Riachuelo, e existiam vários prédios de banco como: América do Sul, Estado do Paraná, Noroeste, Comercio e Industria de São Paulo;... como era grande a população de Assaí.... No local onde hoje é a igreja matriz, era sempre com muita gente, e a parada do ônibus era onde hoje é a Idade Dourada. O tempo foi passando e percebi que a população foi diminuindo, mas as casas foram ficando bonitas e eu não entendia porque o movimento de Assaí caiu. Hoje continuo neste chão maravilhoso que é o nosso patrimônio rural, ao lado de minha família, sou artesã, onde confecciono vários produtos usando a criatividade que Deus me deu, pois adoro o que faço..

Minha mensagem aos Assaienses: Adoro, o patrimônio rural,  o chão que Deus nos deu, e peço a vocês jovens e adolescentes, que estudem bastante para não cair no mundo das drogas e do crime, pois Assaí é uma cidade abençoada por Deus e tem os braços abertos para todos, vamos trabalhar, estudar e contribuir para o crescimento e desenvolvimento da Terra do Sol Nascente.

06/02/2015 - ALI CHEHADE, LIBANÊS DE CORAÇÃO ASSAIENSE!!!

Ali Ahmad Said Chehade, popular Ali Chehade, nascido no Líbano, em 08/02/1949, veio para as terras brasileiras com 04 anos de idade, São Paulo, Curitiba, Sapopema, mas foi em Assaí, que a família fincou suas raízes.

 

“Em mil novecentos e cinquenta e ...não me recordo, pois esse chão era uma terra firme, cheia de benefícios, fartura, e que recebia a todos de braços abertos.A avenida Rio de Janeiro, reunia todos que estavam em busca de dar um futuro para as famílias, e eu com muito orgulho, estava nesta fila, ao lado de minha querida esposa Rosa Aicha que nasceu também por coincidência em 07 de fevereiro de 1952, e nos casamos em 1969 e formamos uma dupla insuperável, de carinho, afeto, honestidade e lealdade. Quanta oportunidade esse céu de Assaí, me proporcionou... tudo nesta época era terra, lembro do prefeito o popular Lico, os carroções, os bois, perto onde hoje é a Caixa Economica, nos dias de chuva, os cavalos não conseguiam puxar as carroças com os produtos, muita gente indo e vindo , neste lugar. Cada dia era um amigo que você ia conquistando, porque todos queriam trabalhar, para ver os frutos do progresso. O comércio ia cada dia na avenida aumentando, que ainda era terra, muito barro e logo o pó, mas o povo ia chegando, alegre com vontade de enxergar o amanhã que o Sol iluminava nossas cabeças para fazer do trabalho, a riqueza dessa terra. Passaram-se anos de alegrias, tristezas, sofrimentos, vitórias, derrotas, como todos, que querem vencer na vida. Passaram-se os anos e os filhos chegaram: Anuar, Rachidi, Kaled, Leila, Fatima e Salih, e a luta a cada dia tornava os sonhos mais vivos, com dedicação ao comércio em Assaí. Eu amo Assaí, não sou político, mas respeito muito os que promoveram o crescimento de nossa gente, como Luiz Mestiço, Tuti, Lico, Severino, Sergio Kian, Julião, Fucuda. Fiquei sem a minha esposa que Deus precisou dela, mas tem nesta cidade os filhos, netos, amigos, os companheiros como Sr. Paulo Martins, amigo de toda hora, reconheço e dedico o meu afeto a todos que me acalentam no sofrimento. Continuo acreditando em minha cidade, que olhando o passado e vivendo o presente tenho muito orgulho pelo seu desenvolvimento que abriga muitas famílias gerando riqueza do grande comércio que é para a nossa região. 
Mensagem: Que Deus abençoe a todos os que moram em Assaí e circunvizinhos, é uma terra abençoada por Deus, que aqui me acolheu e continua até hoje de braços abertos com bênçãos em minha família. Amo meus filhos e meus netos. Agradeço a esse povo que nos acolheram e cada passo que damos nessa terra aumenta mais o carinho e a gratidão. Ame vocês essa terra, nasci no Líbano, mas sou brasileiro com muito orgulho e rico de coração assaiense. 

17/10/2014 - Mineiro de 100 anos, com coração de Assaiense


Uma história de emoção, reciprocidade, amor e respeito do mineiro que fará 100 anos no dia 19 de Outubro de 2014, o nosso protagonista Elpídio Ferreira da Silva, que chegou em Assaí, em 1951, acompanhado da esposa Dona Laurinda e dos 09 filhos: Maria Aparecida, José, Jovi, Ana, Jovino, Luzia, Paulo, João e Joaquim. Um senhor disposto, alegre e contador de histórias. Suas proezas vão de picada de cobra, maleita, mordida de cachorro louco e ai a fora....
Um senhor abençoado por Deus, que comemora seus 100 anos neste dia 19/10. Um privilégio para poucos, e mostrando uma cultura popular que deve ser reverenciada por todos os munícipes... O prefeito municipal Luiz Mestiço e a Secretaria de Cultura, parabeniza o ilustre mineiro, mas de coração assaiense pelos seu 100º aniversário.

“... Sou mineiro, onde vivi poucos anos e foi aqui em Assaí que encontrei um chão para dar o sustento a minha família; casei no religioso ainda em Minas Gerais, e depois me casei no cartório para registrar meus filhos que são 6 homens e 3 mulheres, e um deles Deus já levou. 

Lutei muito nessa terra roxa de Assaí no sítio da família Hara, que foi meu primeiro patrão lá na secção Guarucaia, sempre tive minha família me ajudando na lavoura e também fiquei uns tempos em São Sebastião da Amoreira trabalhando com Sr. Maguti, também trabalhei na secção Peroba e depois fiquei algum tempo na cidade de Santa Cecília do Pavão.

Voltei para Assaí, eu gostava muito desse lugar, onde era somente o que os olhos dava para enxergar da plantação de algodão, amendoim, girassol, mamona, feijão, café, milho e rami, e a cada dia com o suor do meu rosto e uma enxada na mão fazia eu ter mais amor por Assaí e pela minha família, lutei muito, sempre respeitando o mais próximo, no meu entendimento tudo que se empresta tem que pagar, emprestado não é dado, e assim eu sempre fiz, para ser feliz com meu espírito. 

Vejo a marca em meu pé, da lida na lavoura, quando fui picado por uma cobra, que a lembrança ainda está viva em minha cabeça. Sempre respeitei meus vizinhos enquanto trabalhava na lavoura das outras pessoas. 

Minha saúde é boa, gosto de tomar uma “ branquinha”, gosto muito de comer cabotiá com carne seca, torresmo, carne gorda porque a carne magra não gosto, um cafezinho preto, feijão e muita farinha e até hoje gosto de cozinhar a minha canjica. Sou católico, obedeço a Deus, não tenho orgulho, e quero continuar a ser um homem bom, porque Jesus é carinho, é bondade, é respeito, e nos ensina que o suor dos outros não põe ninguém pra frente... 

E hoje perto de completar 100 anos, estou ansioso, e esperando todos os filhos, netos, bisnetos, tataranetos e minha família toda, para comemorar essa data tão especial, e agradecer a Deus por tudo o que sou e pela linda família que Ele me deu.

Mensagem: “ Adoro este chão de Assaí, pois nunca consegui viver longe daqui...Tentei, mas voltei, porque aqui é onde fui e sou feliz com minha família, e vocês têm que batalhar muito para ajudar as outras pessoas, tem que respeitar para ser respeitado, porque quando chegar o nosso prazo de validade.. todos vamos embora, e me sinto muito feliz por ter cumprido minha missão... Obrigado a todos e a essa cidade querida que me recebeu de braços abertos” .

 

15/09/2014 - O OLHAR  DA TERRA DO SOL NASCENTE DE SUMIE KAYAMORI TANO

Brasil, a esperança de um mundo melhor para todos os imigrantes, que sonhavam  na felicidade de ter uma vida melhor...nasci no seio da tradição japonesa  em 1942, ouvindo , que essa terra era abençoada por Deus ...cheguei em Assaí em 1955, com a idéia  de que havia uma árvore verde que dava ouro, percebi que era o café,  um local onde tudo era só terra, muitos trabalhadores  que desejavam dias melhores , lutando na terra, para tirar o sustento. Minha família veio de Chaporã, antiga Bela Vista (Est. De São Paulo), com muita vontade de vencer; não havia asfalto, nem energia, tudo era difícil. Meu pai abriu, onde hoje é (a loja Massuda) um comércio de bicicleta,.. Mais ou menos na época de 1958, a avenida era de chão batido e iniciou a colocação do paralelepípedo, tudo era de madeira, muita escuridão durante a noite, a Igreja Católica era pequena e de madeira, todos marcavam encontro neste lugar, o meio de locomoção era de jardineira, carroção, trator, cavalo, e a maioria das casas eram cobertas de sapê e folha de coqueiro, durante a noite a única claridade era da lua... As compras eram feitas nas Casas Pernambucanas, Buri, Riachuelo, Bazar e Casa de secos e molhados. Só se enxergava caminhões de café e algodão. A rodoviária nesta época era Avenida Rio de Janeiro, onde hoje e a Emater. Lembro-me de Dna Kazuko Kumagai, quando era diretora da escola.. e o que mais me marcou foi a geada negra de 1975, que “ torrou” tudo que estava na frente, uma lembrança muito triste, de ver as plantações destruídas... Muitas famílias eram Sirios Libaneses, que tinha muita freguesia, aumentavam o comércio.Era venda, quitanda, Casa Sato, Yonegura, Yamada, Banco Comercial do Paraná, livraria Assaí, Banco  Noroeste do Estado de São Paulo,  Banco do Paraná, Banco do Brasil . Eu era muito feliz, nesta época  nesta terra com cinema, atletismo,divertia muito, íamos todos  de caminhão para colher algodão.

 

Mensagem:- Querido  assaiense , hoje estou  com 72 anos, uma mulher feliz, pois estou trabalhando com meus amigos na Teia da Cidadania, tudo  é mais fácil, tem mercado, transporte, lazer,  um povo que quer trabalhar para ganhar seu sustento, com a ajuda de Deus. Vamos lutar pelo bem de nossa cidade contribuir para a sua grandeza, ama-lá, pois é  uma rica história do  chão da Terra do Sol Nascente que só dá frutos bons. 

15/07/2014 - Geni Gocchi - 72 anos - Uma lutadora pela preservação da cultura japonesa

 

... “Tenho orgulho dessa terra, foram muitas lutas para chegar até aqui... Com três meses de vida, fui adotada pela família Fujiwara - Ogassawara, e somente aos 14 anos é que descobri minha verdadeira origem, momento que me marcou muito, mas não desanimei... Sempre ajudei em casa, demos um duro danado para construir nosso patrimônio. Foram muitas lutas, tinha um grande sonho de ser enfermeira, mas me casei com Hatiro Gocchi e construímos nossa família querida, criamos nossos dois filhos Lilian e Júlio, com muita luta, muito amor e dedicação, e o sonho de ser enfermeira ficou para trás...

...Tem muita história a ser contada da luta da colonização japonesa, em preservar as nossas raízes daquele amor que meus familiares nutria pelo Japão, pois eu já nasci aqui em Assaí e aprendi a amar as raízes da cultura japonesa enaltecida pelos pais que eu conheci, que não nasci deles, mas que deram uma família e uma formação de respeito e amor pela terra do sol nascente.

No ano de 1985 nasceu o Grupo  de dança Keshin, nessa época fui presidente da Laca – Liga das Associações Culturais de Assaí, com o tempo fui também  presidente da Sama como do Funjinkai, por um período de 10 anos, e ensinei o que herdei de minha família,  a dança japonesa para muitas pessoas, e também na minha história trago comigo o Grupo de Taiko Wadaico, formado em 2004, academia Três Barras de Keshin Wadaico, onde desenvolvemos a cultura de tocar tambores e a dança Japonesa, era difícil porque não tinha ajuda financeira de ninguém, as despesas eram pagas por nos mesmos, e todos dormiam e comiam aqui em casa... O taiko já iniciou-se com a participação de crianças e adultos e o grupo de dança com senhoras, recebemos vários votos de congratulações, e entre eles da Camara Municipal de Assaí, em 26/06/2007, que guardo com muito carinho até hoje. Os instrumentos foram comprados e alguns doados, e fizemos apresentações de dança e taiko por quase todo o Paraná e algumas apresentações em Santa Catarina. Contribui também com aulas da cultura japonesa no Colégio Barão do Rio Branco e em várias entidades em Assaí, como também na cidade de Uraí. Hoje quero destacar a presença e participação de Herik Ogassawara, meu único neto, que também acompanhou o grupo taiko, e que muito orgulho tem dado para a nossa cidade, com suas manifestações típicas da comunidade japonesa, continuando nas raízes da família Gocchi. Lutei na terra do Sol Nascente para mostrar o quanto a cultura faz parte em minha vida, pois abri minha casa, com aulas de Karaokê com o professor de Londrina Rikichi Orikasa, com vários alunos freqüentando duas aulas mensais, como também a presença da professora Luiza Mineko Kimura, que efetua a aula, três vezes por mês. Um dos momentos que me senti feliz ao lado do Grupo Keshin, foi o convite que recebi do prefeito Luiz Alberto Vicente para homenagear o governador Beto Richa, a fim de mostrar as raízes da identidade da cultura japonesa tão rica na minha querida cidade natal.

Mensagem: Desejo como assaiense, continuar a divulgar a tradição da cultura japonesa por meio da ikebana, música e dança, contribuindo com a formação da riqueza cultural de nossa cidade,  na busca constante de preservar as nossas raízes.

 

02/06/2014 - NEUZA CORREIA DE MELO – 84 ANOS, UM LEGADO DE MEMÓRIA VIVA.

Nascida em 04/06/1931, vindo de Maceió – AL,  para Santos, em seguida para a cidade de Marília, chegou em Assaí aos 18 anos em 1949. Uma nordestina que mostra as vivências e as raízes carregada fortemente de significados na terra do Sol Nascente.

“... Muito mato, Assaí era um sítio com as imediações cheia de animais, carroças, casinhas de madeira, muito barro, buracos, não tinha energia elétrica, faltava muita água, o transporte era uma jardineira que se deslocava para Londrina, Cornélio Procópio com um único horário de manhã e voltava a tarde. A única casa de alvenaria era o Banco America do Sul onde hoje é a Biblioteca Central; existia a Casas Pernambucanas, Loja Riachuelo, recordo-me de uma loja muito fina, de tecidos de seda, linho, tecidos da época, loja do Sr. Nakayasso, onde é hoje Josiane Modas; um estabelecimento que já era um lugar respeitado, que ofertava pão era a padaria Aurora. Um dado que vem a minha mente é o limpador de pé para os dias de chuva que tinha nas nossas casas e nas lojas, muita festa como a do Padroeiro, Junina, Cerimônia da Semana Santa que se reuniam muitas pessoas na procissão vindo de caminhão, carroça, cavalo e a pé. A igreja católica ficava perto da avenida; no pátio da igreja era o grupo escolar, depois foi para onde é hoje o Colégio Barão, isto na década de 1950, me recordo do nome do diretor Sr. João Carneiro. Um dos locais que também aglomeravam muita gente é onde hoje é a Caixa Econômica, que era o cinema da cidade, ao lado onde hoje é o banco do Brasil, era uma grande cooperativa em madeira. Não me esqueço que o automóvel mais chique da cidade era da família Kuya. Um espaço de promoção de grandes festas era onde é hoje a casa do Sr. José Carlos da Cruz, onde era o clube recreativo de Assaí. Na década de 60 muito progresso com a vinda do Banco Bradesco, Comercial do Paraná, Banco Curitiba, Comércio Noroeste( onde hoje é o móveis Martins); Banco do Estado do Paraná ( onde hoje é o Deck 52). Recordo-me na avenida Rio de Janeiro que tinha muitos taxistas, que faziam corridas para Drº Julião, Drº Gustavo e Drº Shozo, era muito bonito dois “ pé de bode” (automóvel de aluguel), e meu marido tinha um Ford 49. Devo muito a meus pais que me ensinavam a instrução em casa. Muito caminhão de tora de madeira, naquele tempo só tinha a cabine. O café foi uma das grandes riquezas, muitos produtores colhiam até um saco de café em coco por pé. Uma coisa que marcou Assaí foram as geadas, principalmente a geada negra de 1975 que mudou a vida dos assaienses.

Mensagem: Assaí está de parabéns pela nova geração, que tem apresentado crescimento e desenvolvimento e opção de ensino, única coisa que ainda com 84 anos vejo que existe é a falta de emprego, pois uso o velho ditado de meus pais.. Me dê uma esmola que como hoje, me dê um trabalho que comerei todo dia... Isto é à base da felicidade para todos desta terra abençoada que só me deu alegrias, pois a tristeza de meu coração é grande por causa de meu filho, mas esta terra de luz é que me sustenta até os dias de hoje.

21/05/2014 - Zequias Rufino e Lourdes Rufino da Silva

Buscando a diversidade nordestina na memória do casal Zequias e Lourdes Rufino da Silva.

“ Esta história se iniciou desde 1895, com o nascimento de Maria José Santiago, minha mãe adorada e a quem dedico essa simples homenagem, com muito amor, por ela ter me dado a vida, comenta Zequias Rufino da Silva. “

                                

“... Vim para esta cidade em 30/09/1948, onde este chão só tinha a natureza abençoada por Deus, casas de madeira, quando chovia era muito barro, vinha da Paineira para a cidade de “ come quieto (alpargata roda)” , um período muito difícil, mas com a esperança de aqui ser o meu futuro. O tempo passou e em 1954 voltei para Garanhuns, para buscar Lourdes, aquela que seria minha companheira, sonho realizado  em 29/04/1954 me casei e voltamos para esta terra querida e começamos nossa história. Ficamos dois anos aqui em Assaí, na secção Paineira,  em 1956 fomos para São Paulo tentar uma nova vida, onde vivemos por lá ate 1959, trabalhei duro para juntar dinheiro e poder comprar o tão sonhado “ pedaço de terra”. Voltei para Assaí, pois era encantado com o Paraná,  adquiri um sítio, com porcada, cavalo de sela, vaca de leite, carro de boi,  plantava algodão e feijão. Estava feliz, a família crescendo, também a minha cidade. Fui convidado para trabalhar na Prefeitura de Assaí,  fiquei por um período de 37 anos, destaco o meu papel de lutar por essa terra como vereador durante 19 anos, 4 mandatos. Desde a década de 1950 que estou nessa casa, em que a minha memória relembra a construção do colégio Carrão, ao lado onde estamos hoje era um terreno vazio onde jogavam lixo, tendo um riacho no fundo de casa, que vinha do morro, e ali era cultivado por um japonês verduras, bananas e todos compravam. Esse pedaço de terra foi loteado pelo prefeito da época Manoel Pessoa. Tudo era pó, não havia energia elétrica em tempo integral, alguns dias era das 7 às 10 horas, sumia tudo, e a estação da luz de Laranjinha, que era perto do morro, ficava até três dias sem energia. No começo nem TV não pegava por causa do morro, e quando compramos a TV muita gente ficava em frente de casa para poder assistir, porque quase ninguém tinha... Nesse tempo o transporte era a jardineira, com muita gente, pois era o único meio de chegar as cidades vizinhas, Nova America, Cornélio e Londrina. Com muita luta criei meus cinco filhos, que construíram suas famílias, alguns moram aqui em Assaí e outros em Londrina, mas sempre procuramos eu e Lourdes, dar amor, lição de vida do bem aos 14 netos e 02 netos adotivos, ensiná-los as raízes nordestinas, principalmente em nossa mesa, com o bolo de mandioca, cuscuz de milho, tapioca, buchada, sarapatel e outros, que até hoje fazem parte da rica mesa de nossa família.  Hoje 2014, ando pelas ruas, observando o quanto  Assaí cresceu, e destaco o quanto Deus me ouviu, dando condições de estar nesta terra até hoje.

Mensagem: Aqui me fiz gente... Aqui escolhi para viver  e onde quero morrer, de um “ Zé ninguém “, construí meu império: MINHA FAMILIA, e grandes laços de amizades que levarei comigo para sempre. Querido povo de Assaí, tenham amor e paixão por esta terra rica de felicidade.

07/04/2014 -Luiz Franco de Lima

O palmeirense que se tornou filho de Assaí, desde 1942, Luiz Franco de Lima.

O cidadão Luiz Franco de Lima, natural de Manduri – SP veio para Assaí em 1942, com a mala na mão, a família, o sogro e a sogra, uma construção de amor à terra do Sol Nascente.

...” Cheguei nessa terra abençoada de Jardineira e fui direto para o sítio da Roseirinha (chamavam naquela época de cafundó). Cheguei com uma determinação de trabalhar na lavoura do algodão e fui direto para este sítio do major. Plantava algodão... todos trabalhavam juntos e em três anos de luta comprei um sítio ( 8 alqueires), fiz minha casa, paguei escritura e ainda liquidei as minhas dívidas que tinha deixado para trás no Estado de São Paulo.

Minha vontade de crescer aqui era grande, acabei arrendando mais 5 alqueires do Sr. Paulo Nakamura. Passado algum tempo as crianças sofriam muito para virem estudar na cidade, foi quando resolvi vir morar aqui na zona urbana, porque era só mato. Lembro-me, que onde hoje é a Jumbo na entrada da cidade, era a Casa Primavera, onde a gente comprava as coisas.

A estação rodoviária era onde é hoje o Paulo Lava Rápido. O correio na rua Panamá (casa do Fujita).

O banco Noroeste era onde hoje é a loja do Piozo, o banco América do Sul, onde é hoje o banco Sicoob. O banco Comércio e Indústria, onde é o Móveis Martins. Tinha a casa da Lavoura, o Banco do Brasil era onde era a antiga prefeitura. A casa Buri de tecidos era onde hoje é a padaria Pão e Pão.

O lugar mais movimentado da Avenida Rio de Janeiro era o ponto de parada na Sorveteria Sol Nascente, onde hoje é o supermercado TKS, andávamos de jardineira, era tanta gente que muitos vinham no teto com as malas e muitas vezes com caixão de defunto, nos dias de chuva encalhava não só as jardineiras como também os caminhões de algodão.

 Me recordo de um posto de gasolina (onde hoje é a escola Irmão Francisco Vechi), também na avenida tinha o restaurante mamãe. O que me marcou foi um caminhão de diesel que pegou fogo e acabou atingindo o posto, foi muito triste.

A população era maior na zona rural, onde é a igreja matriz, era um pasto onde amarrava os cavalos. A avenida Rio de Janeiro era chão, pois a BR passava nela, que seguia ao posto Tanita, a máquina de algodão Fujiwara, Esteves e Irmãos e ia para Curitiba; também tinha a Sanbra e a Cotia.

Em 1955 abri a mercearia Casa Palmeira, nº 264, ao lado do cartório de registro civil do Antenor Monteiro, onde hoje é a Assailub. O convívio nessa época era muito difícil, quando ficava com dor de dente o dentista atendia na venda do São João, ia a cavalo e acabava fazendo compra em Jataizinho, como eu gostava do Dr. Barddal. Me recordo que na eleição do Francisco Escorsim fui atropelado pelo carro dele na carreata, mas eu estava feliz porque gostava muito dele.

Assaí tinha muitas festas, carnaval de rua, carros alegóricos, vários clubes, como o CRÁ e o SERÁ. Onde é hoje a casa do Tuti, era o bacarrão da empresa de ônibus de Vergílio Spuri. O foto Studio era grande e bem movimentado nessa época. A igreja matriz era um barracão onde é hoje a nossa paróquia, em que Dr. Julião e sua esposa eram muito devotos de Nossa Senhora, que chegaram a doar esta imagem que hoje está na Igreja. Nesse lugar passava filme do CHARLES CHAPLIN, O GORDO E O MAGRO, e OS 3 PATETAS, onde hoje é a Caixa Econômica era o Cine Ouro Branco; eu era feliz, porque cheguei até jogar no maior time de futebol de Assaí; onde é a Escola Maria Mitiko era uma grande serraria...”

Mensagem aos Assaienses: Ame esta terra porque é meu orgulho de ser filho de Assaí desde 1942, ela deu o sustento para criar meus 4 filhos: Mercedes, Vergílio, Celso e Eva, mais os meus filhos de coração que adotei: Terezinha, Ronaldo,  educá-los e todos seguirem o rumo de suas vidas. Agradeço a Deus pelos genros, noras e os netos.Tenho uma tristeza que foi a morte da Rosa minha esposa em 2004 e também logo em seguida a perca do meu genro Roberto de Oliveira. Casa Palmeira, lutei muito por você, para que fosse uma casa abençoada e que pudesse ajudar as pessoas, conquistei meus amigos e respeito todos eles até hoje, porque a Casa Palmeira ainda continua, aos meus 93 anos fico aqui da janela de minha casa observando o quanto Assaí cresceu e está crescendo, por isso como eu lutei por essa terra roxa abençoada pelo Senhor, lute você também, porque ela foi um presente que Deus me deu e aqui quero fazer minha morada.

24/03/2014 - Severino Felix Pessoa

SEVERINO FELIX PESSOA, político e cidadão que ajudou a construir a história de seu povo -Pernambucano, da cidade de Limoeiro-PE, 84 anos, ex Prefeito, Ex Deputado Estadual,  considera-se filho de Assaí, grande nordestino que tem verdadeiro amor por essa terra.

...” Cheguei em Assaí, em 1954, vinha vindo de ônibus mas na cidade de Teófilo Otoni – MG, minha mulher Maria, foi fazer um mingau para meus dois filhos e acabou se queimando, precisando ficar internada em um hospital daquela cidade durante trinta dias e meu irmão Benone não me deixou, ficou nos acompanhando até a recuperação dela. Cheguei aqui e o primeiro sítio que fui trabalhar foi do Marumo, vim com a idéia de plantar algodão, já sabia o que eu queria. Nessa época tudo aqui era chão, muito mato, só plantavam café, fui depois de trinta dias para a fazenda do Fujita e lá fiquei trabalhando até comprar minhas terras. Comprei 6 alqueires que era do Sr. Adelino Inácio, na secção Guarucaia. Comprei essa terra em 1958, plantando algodão. Nessa época a Avenida Rio de Janeiro não era asfaltada, já possuía comércio, a cidade era bem movimentada devido ao começo do plantio de algodão no Paraná que trouxe grande desenvolvimento para Assaí, muito dinheiro,muita gente comprando e aumentando o crescimento local. O povo se reunia em uma padaria para tomar o café, era encostado do lugar onde tinha o escritório de Antonio Ueno, esse local era uma quadra que tinha muito movimento e todos se juntavam ali, inclusive muitos japoneses, tinha três bancos, delegacia, cartório do Orlando Gregório, rodoviária... De 1954 à 1964 morei no sítio na secção Guarucaia e vim para cidade de Assaí no ano de 1964, nesse lugar onde hoje eu resido, rua Getulio Vargas, comprei essa casa de Carlos Cipriano. Sou pai de dez filhos que são meu orgulho. Comprei terras, arrendei, ajudei gente chegando de Pernambuco. Muito de meus empregados lutaram, cresceram e conseguiram comprar suas próprias terras em Itambé, tornando-os bem de vida, mas com o tempo foram perdendo tudo. Eu e Benone sempre juntos, comprávamos tudo junto, o dinheiro era todo guardado dentro de um “ saco”, um não desconfiava do outro, nunca um perguntou o que gastou para o outro, os filhos nasceram e se criaram juntos. A morte de meu irmão Benone foi a minha maior separação, enquanto a morte de Salete foi um desastre, me abalou muito, como senti a ida de meu filho Milton. Guardo a Salete “viva” dentro de mim, quero sempre ela perto de mim. Meu pai Joaquim Felix Pessoa e minha mãe Clautide Maria Pessoa, fui buscá-los em Pernambuco, onde viveram aqui em Assaí por muito tempo, meu pai faleceu com 111 anos e a mãe com 86 anos. Em 1978 com o engenheiro Wilson Mandelli, fiz o projeto desta minha casa, e chamei um arquiteto de Londrina para fazer a junção de duas culturas: a holandesa e a portuguesa, terminando a construção em 1980 onde estou até os dias de hoje.  Desde o nordeste eu já gostava de fazer política, naquele tempo era muito difícil pois quem mandava eram os coronéis, e com o tempo aqui em Assaí não foi diferente, e em 1982 a convite de muitas pessoas saí candidato a prefeito e fui eleito, meu mandato de Prefeito foi de 1983 à 1988, e depois em 1992 fui eleito Deputado Estadual. Orgulha-me muito saber que mesmo que de uma maneira bem simples e com tão pouco eu pude ajudar muitas famílias, que são gratas até hoje, e como é gratificante ser lembrado e ter o reconhecimento de todos.

 

Mensagem aos assaienses: Um povo sempre corajoso que encontrei, japoneses, pernambucanos, mineiros, italianos e de outros estados construíram Assaí, eu nunca esqueci daqueles que já se foram e os que ainda estão aqui. Agradeço o povo dessa cidade, desde os mais antigos assim como eu, que abriram o crescimento de Assaí. Eu nunca fui um homem de chorar, perdi meus familiares e filhos e não chorei, hoje estou emocionado e com os olhos cheio de lágrimas, mas me sinto feliz, fiquei muito adoecido e a morte bateu em minha porta, mas não me levou, estou aqui e pude contar um pouco da minha história, esta terra é tudo para mim eu nunca mudarei dessa cidade, gosto daqui como gostei dos meus pais, e respeito todo povo que aqui encontrei... Quero desejar muitas felicidades a todos que sempre considerei um povo trabalhador, honesto e bom. 

20/03/2014 - Roberto T. Miyahira

Click Cultura agrega em seu acervo o pensamento do Engenheiro Roberto Tadanobu Miyahira, que em seu currículo, ampliou competências e habilidades em um curso de especialização têxtil no Japão e deu aulas de fiação em Maputo, no Moçambique, aumentando seu domínio de conhecimento o que legitima para os assaienses em ser o Coordenador do Projeto Técnico da Cooperativa Integrada Agroindustrial – Fiação.

.... “ Na década de 1985 fiz os primeiros contatos com a Prefeitura de Assaí para a vinda da Fiação na Terra do Sol Nascente. Destaco um trabalho em crescimento desta terra roxa que faz desse chão um motivo de orgulho para todos nós. Nesse planejamento observamos o que a industria ofertaria para os seus munícipes, iniciamos verificando o potencial da cidade na questão da mão-de-obra, localização, logística de transporte, matéria prima, para desenvolvermos o programa de treinamento, pois eu era o encarregado da parte técnica da Fiação e cumprimos o cronograma estabelecido. Recordo-me que neste período Assaí,tinha uma grande produção de algodão, o que possibilitou o contato de uma caravana de Assaí para São Paulo composta por políticos, empresários, agricultores, todos imbuídos com o mesmo objetivo de concretizar a instalação da Fiação para Assaí. Observava que havia uma luz nesse projeto para aumentar o comércio, o fluxo financeiro, a matéria prima que era o algodão. Hoje a Fiação enfrentou o processo da globalização mas continua a trazer divisas de crescimento na questão da empregabilidade para o povo de Assaí e região, mantendo seis casas que foram construídas para os funcionários e hoje ainda permanece o supervisor de produção Juarez Marcos Denner. Destaco que na construção da obra foi necessário a presença de 600 funcionários, e a economia de Assaí foi crescendo com a Caixa Econômica financiando a construção de várias casas, a melhora é significativa em todos os segmentos como também as indústrias das máquinas de algodão. A qualidade do fio da Fiação é respeitado por Santa Catarina, São Paulo e Paraná, tenho meu coração em Assaí na região do Tigrinho, ressaltando a família do Sr. José Lotário (in memória), o Diogo Sutil que hoje está no Mato grosso, mas naquela época sofria muito para vir estudar a noite no colégio, pedi a ele que nos momentos de medo ao passar na mata orasse o Pai Nosso, pois estaria protegido...”

Deixo a seguinte mensagem aos Assaienses: Se preparar na parte da saúde física, mental, psicológica e espiritual buscando conhecimentos em todas as áreas. Acreditar que este preparo alavanca o futuro pessoal e profissional em bases sólidas. A minha intenção é continuar ajudando Assaí naquilo que eu posso.

11/03/2014 - Takao Aoki

Líder nato, Takao Aoki chegou em Assaí no ano de 1947, na Secção Cedro, acompanhado de sua família, pai, mãe e três irmãos: Assako, Nobuo e Aiya, tecendo a sabedoria Divina que lhe foi confiado pelo Espirito Santo, no seio da família assaiense.

 

... “A minha memória se fortalece no legado de meus pais..

Minha mãe, formou-se no magistério em 1926, na cidade de Osaka no Japão, e foi convidada para dar aulas na Escola Japonesa da Secção Cedro, pelo Sr. Kingoro Takeda. Viemos do Estado de São Paulo, de uma cidadezinha chamada Sertãozinho – Cruz das Posses, região de Ribeirão Preto. Meu pai nasceu em Nagóia no Japão e era formado em contabilidade, recebendo da Associação Japonesa terras com o compromisso de limpar a área e plantar café e depois cultivar o algodão. Ainda muito pequeno me lembro que durante a noite, contemplávamos a queimada das matas  da Cabiúna, Palmital, Secção Porteira (hoje a cidade de Nova America da Colina). A oeste olhando para trás do morro (Kato) enxergava a cidade de Assaí, que era conhecida como “ Três Barras “, e também Pirianito, onde hoje á a cidade de Uraí. Lembro-me que a igreja de Assaí naquela época pertencia a cidade de Urai, tornando-se paróquia mais tarde. Uma grande lembrança que tenho desse período é que o transporte era a Jardineira, com as portas laterais abertas e o cobrador fazendo seu trabalho que ia até o patrimônio Cruzeiro do Cedro. Em meados de 1948 e 1949 havia a tourada e muita atividade no campo de futebol e beisebool que era onde hoje é o Sato Super, era tudo terra, tinha a presença de uma bomba de combustível ao lado do campo. Muitas vezes presenciávamos o circo com seus espetáculos. As famílias das secções vinham de jardineira para fazer compras na cidade de Três Barras (Assai), ou de caminhão do Sr. Raul Ikeda, filho do 1º imigrante da colônia Japonesa no Brasil, Sr. Eitaro Ikeda, que chegou ao Brasil no Kasato Maru em 1908.  A Avenida Rio de Janeiro era muito movimentada, mesmo sendo de chão batido, tinha muito caminhão e trator e a poeira era muita, um comércio com grande circulação, desde o antigo posto Tanita, saída para Curitiba,  até a Sanbra. No ano de 1951 minha mãe Fussae Aoki, foi convidada para dar aula na cidade de Três Barras (Assaí), na escola Japonesa Fujigakuen e meu pai ficou um ano ainda na Secção Cedro, dando aulas da língua Japonesa em seu lugar. Viemos morar nesse local que eu resido atualmente, a casa na época era da Sr. Utaro Ibe, que possuía mais de dez casas de aluguel. Ainda nesse ano comecei a trabalhar no Bazar Massuda, sendo o primeiro empregado da empresa. Meus pais dava valor a escolaridade, fato que estudei o primeiro ano e já fui para o terceiro ano, porque a matemática era a minha especialidade. Em 1963 fui servir o exército em Curitiba e fiquei por lá durante uns 6 anos, e me formei em Ciências Contábeis. Nessa trajetória dei aulas no Colégio Estadual Comercial (hoje Carrão), em 1974 me formei em Ciências Econômicas na UEL e no ano seguinte comecei a dar aulas na faculdade de Economia; fui Inspetor Regional de Assaí e região, durante 1963 à 1982; fui eleito vereador; fui Diretor de fazenda na Prefeitura Municipal; Presidente da Liga Nacional de Três Barras Seinem – Renmei; Presidente da LACA, Assessor técnico de mais de dez prefeituras da região; Vice-prefeito 1997 à 2000, tornei-me também Ministro da Igreja em 1998 a convite de Padre Jerônimo. Recebi em minha vida vários prêmios de Menção Honrosa pelos serviços prestados...

Minha mensagem aos Assaienses: Temos que se preparar para a vida, formação na casa e escolaridade, uma herança que recebi de meus pais, devemos ser um cidadão correto, com honestidade, preservo com muito orgulho o legado que recebi dos valores da cultura Japonesa.

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26/02/2014 - MANOEL ALVES DOS SANTOS, popular Mané Sapateiro.

Pernambucano da cidade de Triunfo, uma cidade encravada no sertão, a mais alta e a mais fria do estado de Pernambuco.

Uma contribuição  para cultura local, Mané Sapateiro, tem seu estabelecimento há 53 anos na cidade de Assaí: Sapataria Rápida.

Assaiense de coração, um verdadeiro ator social de grande cultura nesta diversidade que estamos inseridos, retrata o filme de sua vida desde  fevereiro  de 1960.

“... Sapateiro sem lenço e sem documento, sem ser empregado e sem ser patrão, tenho o céu como o meu teto e o chão como meu colchão. Assim cheguei vindo de pau de arara viajando por 21 dias, pagando todos os meus pecados. Desci na Avenida de Rio de Janeiro esquina com Rua Bolívia, onde hoje é o Posto Matsubara, era um terreno vazio onde todos que chegavam de pau de arara paravam ali... desci chorando, pedindo ao Padre Cícero que me ajudasse, pois para mim achei que estivesse no Japão, não entendia o que falavam e a angustia tomava conta do meu coração querendo voltar para o meu sertão em Pernambuco. Desempregado sem saber o que fazer, sem dinheiro, só tinha um relógio onde levei comigo na antiga mercearia Aurora, onde tomei minha primeira água e pedi com muito sacrifício para falar e entender o que eu queria: um pão com mortadela e um copo de leite. Que momento difícil, não entendia a comunicação e os hábitos eram totalmente diferentes do que eu era acostumado em minha terra, nessa padaria me colocaram para comer tofú, feijão curtido, não me adaptava, eu olhava para mim e não acredita no que eu estava passando, coisa incrível essa angustia que sentia, e essa situação durou por mais ou menos seis meses. Nesse período só existia máquina de café e algodão, a avenida Rio de Janeiro era de paralelepípedo, desde onde hoje é a loja Shimada até a  padaria Ikeda, era uma camada alta, um corredor de difícil locomoção. Também lembro-me da diversão que era um luxo com dois cinemas, um centralizado onde hoje é a Caixa Econômica Federal, e o outro na Rua Bolívia, onde hoje é a fabrica de costura.As festas juninas realizadas era nesse espaço vazio ,onde é o posto. O cenário neste período era de muitos aventureiros que colhiam algodão e café, muito frio, não se adaptavam e com o término da colheita retornavam a sua terra natal. Era muito difícil fazer amizades no começo... mas graças a Deus o tempo foi passando e hoje tenho muitos amigos aqui, que contribuíram para melhorar a nossa cidade. Assaí melhorou, a cidade tem vida e cresceu, aos olhos de quem vem de fora é uma terra rica, que nos faz bem, povo alegre e inteligente , sou muito feliz aqui ao lado da minha família, meus filhos todos criados. Fui ao estado de Pernambuco recentemente e destaquei a importância da cultura de meu Pernambuco, que muito contribui para a formação intelectual do povo brasileiro, porque a palavra mal aplicada é muito mais pesada do que uma picareta.

Mensagem aos Assaienses:  “...54 anos se passaram, sou feliz, gosto de me comunicar, a palavra é tudo, saber dizer SIM e NÃO, Procurem ser felizes, amem Assaí porque a cultura daqui é muito rica,  só temos a crescer, para que nossa cidade seja colorida e encantadora como a natureza que DEUS nos deu de presente...”

18/02/2014 - Antonio Zuza

 

Um personagem da história nordestina de Assaí é o Sr. Antonio Manoel de Souza, 77 anos, Antonio Zuza, assim como é chamado, desde 1.950 quando chegou de Garanhuns- PE, acompanhado de sua esposa Ernestina Cordeiro de Barros, para cidade de Assaí. Vindo de pau de arara até São Paulo, pois ninguém conhecia o Paraná nesta época e muito menos a cidade de Assaí.

Em seu relato conta a sua chegada em São Paulo, não querendo ficar lá foi direto para o Hotel Queiróz (SP). Seguindo no outro dia de trem para uma cidadezinha de São Paulo, onde decidiu seu destino, vindo de ônibus até a cidade de Assaí. Destaca:

“... Nesse lugar só havia colonhão, roça e em frente onde hoje é a igreja matriz, existia um amarrador de cavalos... eu plantava no Cebolão e na Paineira: milho, feijão e café. Aqui nasceram meus nove filhos, onde todos estudaram e estão lutando nesta querida cidade.

Vim pra cá motivado pela esperança de adquirir terras e dar condições para minha família. Trabalhamos bastante e consegui comprar cinco alqueires dessa rica terra, que tanto me orgulha... Até que vim do sítio, morar na cidade, acreditando queria seria mais feliz. O que mais marcou a minha vida foi Deus ter dado meus amigos: João Rodrigues, Mussolon, Zequias Rufino...., que sempre estiveram ao meu lado. Todos somos testemunhas do progresso de Assai, que hoje é uma cidade linda.

Vivi e vi muitos prefeitos em Assaí que trabalharam e mudaram a cidade,

E hoje sou feliz nesta cidade! Deus me deu tudo para criar meus filhos nesta terra roxa, acreditei e lutei e hoje continuamos firmes nesta querida cidade.

Queria deixar um conselho ao povo de Assaí: Cada um deve saber que existem dois caminhos, um bom e um ruim. Que Deus abençoe a todos a viver o caminho do bem, para ajudar a cidade a crescer cada vez mais”.

12/02/2014 - Mario Ikeda

Marcando o início do projeto, o Click Cultura destaca o assaiense Mário Ikeda, Delegado da Polícia Federal aposentado, filho de Raul Hiroshi Ikeda e Kohana Takeda Ikeda e neto do casal Eitaro Ikeda e Miyano Ikeda que aportaram no navio Kasato Maru em julho de 1908, sendo o único casal que escolheu Assaí como sua pátria.

Mário Ikeda - Um renome da família Ikeda que amplia uma lição de cidadania para nós assaienses dos valores da cultura japonesa, pois sua influência é forte na memória local da cultura do registro, do pensado e vivido pelos herdeiros de EITARO IKEDA.

“... Tenho muito orgulho de ser assaiense, enche e mexe com meu coração  participar da história da memória local, contribuindo das riquezas da colonização de Assaí, na história da imigração japonesa no Brasil, do que essa cidade representa de valores de sua gente e a formação com muito orgulho da cultura herdada por meus avós que diziam que é preciso estudar para alcançar o sucesso. Voltando ao túnel do tempo, recordo-me que saia de manhã com a marmita para ir a escola regular, e a tarde na escola japonesa. Exerci com muito orgulho a minha missão neste País, algumas pessoas quiseram me atrapalhar, mas não conseguiram, pois eu queria ser alguém que fizesse a diferença...

Hoje 11/02/2014, estou na cidade de Assaí, com meu amigo pesquisador, historiador Osamu Toyama, que retrata a imigração japonesa.Estamos aqui para conversar e registrar a história da colonização japonesa. Toyama é um escritor que tem obra escrita na língua japonesa: “ Cem Anos de Águas Corridas da Comunidade Japonesa” . Grande amigo que já foi até homenageado pelo Governo Japonês.

Por intermédio do ex prefeito Michel Angelo Bomtempo o Governo do Paraná rendeu uma homenagem ao Avô denominando como Eitaro Ikeda o viaduto na trincheira na BR 369 intersecão com a Pr 090 Jataízinho/Assaí.

 

Nesta minha caminhada em Assaí, da minha janela à Rua Riichi Tatewaki,  retrato a grande obra do Memorial da Colonização Japonesa (Castelo), situado à Rua Presidente Kennedy,  que aguardo ansioso o término da construção. O primeiro castelo japonês no Brasil que deverá resgatar através de um museu com um acervo inédito a história da imigração japonesa no Brasil.